Voltados para pacientes com doenças crônicas que precisam dar continuidade ao tratamento, os hospitais de transição despontam como novo modelo de unidade hospitalar que reduz o caminho entre a instituição de saúde tradicional e a casa do paciente, oferecendo uma rotina que vai muito além do tratamento específico da doença ou da limitação adquirida.

O grande diferencial desse novo modelo é a preparação tanto do paciente quanto do familiar para o retorno ao lar. No hospital geral, o paciente crônico está acostumado a receber visita médica e multiprofissional diária. Quando chega o momento da alta, esse elo é cortado de forma abrupta, causando insegurança na família em relação aos cuidados com esse enfermo. O resultado disso é a reinternação, principalmente pela realização de cuidados inadequados ao tratamento, algo que poderia ser facilmente evitado.

Quando o paciente é transferido do hospital geral para uma instituição de transição, a família dispõe da estrutura e do tempo necessário para que possa estar realmente preparada e segura para conviver com os cuidados que o doente precisa.

Essa transição conta com o apoio de uma equipe multidisciplinar de profissionais formada por médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e farmacêuticos.

Toda a equipe tem a responsabilidade de assegurar que os pacientes voltem ao seu âmbito domiciliar preparados e com apoio necessário, corroborando para melhor articulação e comunicação entre profissionais, pacientes, familiares e cuidadores, visando estratégias de transições bem sucedidas.

Os hospitais de transição ainda colaboram para reduzir o tempo de internação em hospitais terciários, liberando leitos para quem que realmente precisa. Hoje, 25% dos leitos são ocupados por pacientes que já não precisam de cuidados intensivos. Com essa proposta, aumenta-se o quantitativo de leitos em hospitais de maior porte, permitindo ao paciente que necessita de uma estrutura intensiva possa ter acesso ao melhor tratamento.

Gustavo Genelhu é médico e diretor-clínico do Hospital Royal Care